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Relatório Tanaru, sobre a terra onde viveu e morreu o indígena do buraco, é lançado em Brasília em evento promovido pelo STF e pelo STJ

Capa do Relatório Tanaru.

Published by Opi

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Íntegra do documento pode ser acessada a partir de agora no site do Opi

Foi lançada em Brasília, na sede do Superior Tribunal de Justiça (STJ), a publicação “Tanaru – Relatório de Fundamentação da Destinação da Terra Indígena Tanaru”, elaborada por equipe de pesquisadores ligados ao Opi e à Funai e apresentada ao Supremo Tribunal Federal (STF) e ao Ministério dos Povos Indígenas como subsídio técnico dentro da ADPF 991. O lançamento ocorreu durante o I Congresso Internacional Justiça Originária: Povos Indígenas, Territórios e Sistema de Justiça e contou com a presença do organizador do relatório, o antropólogo Fabio Ribeiro e de uma das autoras, a advogada Carolina Santana. 

O relatório apresenta dados históricos, fundiários, geográficos e etnográficos sobre o território onde viveu o indígena de Tanaru, último sobrevivente de um povo que foi exterminado durante a instalação de projetos agropecuários em Rondônia, na década de 1990. Ele ficou conhecido como “índio do buraco”, pelo hábito de cavar buracos dentro das casas que construía. Localizado por indigenistas da Fundação Nacional dos Povos Indígenas, ele recusou qualquer contato direto por 26 anos, até morrer em 2022.

Além de Fabio Ribeiro, são autores do relatório os pesquisadores Amanda Villa, Carolina Santana, Luisa Girardi, Kari Guajajara, Tarcísio Santos, Maite Guedes e Altair Algayer. Durante meses, eles se debruçaram sobre documentos, depoimentos e dados para reconstituir a história de um território marcado pelo genocídio mas também por vestígios arqueológicos e marcas na floresta que permitem manter viva a memória do povo de Tanaru.

Após a morte do último sobrevivente, fazendeiros passaram a disputar a terra onde viveu, com intenção de desmatar a floresta que foi sua companhia de vida. Durante meses seus restos mortais permaneceram insepultos, no que foi lido por especialistas como uma tentativa do então presidente da Funai, Marcelo Xavier, de evitar seu sepultamento no território e liberar a área para exploração. Os funerais só ocorreram após campanha de organizações indígenas e indigenistas e uma decisão da Justiça Federal em Rondônia.

O documento elaborado pelo Opi forneceu dados técnicos para que o governo federal e o STF, dentro da Arguição por Descumprimento de Preceito Fundamental 991, que trata da proteção dos povos indígenas isolados e de recente contato, definissem a destinação do território: em vez de ser desprotegido e voltar às mãos dos fazendeiros, a área permanecerá como um Parque Nacional, um memorial à vida do indígena do buraco e de seu povo, que sofreu um genocídio testemunhado pelo país. 

Documentário

Durante o congresso internacional Justiça Originária foi também exibido o documentário “Tanaru”, da cineasta Julia Mariano. Falado em nheengatu e português, o filme retrata a luta pela proteção da floresta onde o indígena viveu e traz o último depoimento do indigenista Adonias Jabuti, morto em janeiro de 2026 e uma das pessoas que dedicou à vida à proteção do território. 

Confira a íntegra da publicação

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