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Queremos seguir lutando: não podemos permitir a volta do fascismo genocida e por isso o Opi apoia a reeleição de Lula em 2026

Published by Opi

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Nós não esquecemos. Não temos o direito de esquecer a violência que vivemos entre 2019 e 2022, quando o governo fascista tomou o poder no Brasil. Naqueles anos, as políticas indigenistas e ambientais foram quase totalmente desmontadas: os povos indígenas e suas organizações foram submetidos a calúnias e a racismo institucional; os servidores públicos da Funai e do Ibama perseguidos e humilhados; o apoio ao crime organizado, à devastação da Amazônia e à invasão de territórios indígenas virou política de Estado.

Não temos o direito de esquecer Maxciel Pereira, Rieli Franciscato, Ari Uru Eu Wau Wau, Paulino Guajajara, Dom Phillips e Bruno Pereira, nosso fundador, todos assassinados durante o governo de extrema direita apenas por defenderem os direitos e os territórios dos povos indígenas. 

Não vamos deixar a memória do indígena de Tanaru ser apagada: ele foi o último sobrevivente de um povo exterminado pelo desenvolvimento nacional e, ao morrer em 2022, teve seu corpo retirado da terra indígena, levado para Brasília e só foi possível enterrá-lo após decisão judicial. 

Não vamos abandonar a memória dos 700 mil mortos, muitos indígenas, que pereceram na pandemia de Covid-19 pela recusa sistemática do governo em tomar qualquer atitude para salvar essas vidas. 

Lembraremos para sempre de Aruká Juma, o último homem de seu povo, sobrevivente de um dos massacres mais sangrentos da história brasileira e do genocídio de seu povo, que foi reduzido de 15 mil pessoas para apenas 5. Ele morreu de Covid-19 pela demora do governo fascista em criar barreiras sanitárias em torno de terras indígenas.

Não vamos deixar ninguém esquecer as florestas queimando como nunca antes na história desse país e o garimpo destruindo milhares de hectares de matas e rios, provocando a morte de 570 crianças do povo Yanomami.

Os últimos quatro anos foram de reconstrução das políticas destruídas pelo poder Executivo durante o governo da extrema direita. Vimos a criação do Ministérios dos Povos Indígenas, com a criação de um departamento exclusivo para os direitos dos povos isolados, vimos a Funai passar a ser dirigida pelos indígenas, a retomada da proteção e a desintrusão de Terras Indígenas, a volta dos esforços para demarcação e delimitação e o retorno das políticas de fiscalização e combate ao desmatamento na Amazônia. 

Foram anos de reconstrução mas também de muita luta. Tudo que o governo atual alcançou foi realizado com participação e apoio da sociedade civil e das organizações indígenas, indigenistas e ambientalistas, que voltaram a ser respeitadas pelo poder público e puderam, muitas vezes, discordar das políticas governamentais. Fizemos campanhas contra a busca por petróleo na foz do Amazonas, pela conclusão da demarcação da TI Kawahiva do Rio Pardo, pela criação do Parque Nacional dos Povos Indígenas de Tanaru pela retirada de invasores da TI Ituna-Itatá. Construímos o relatório que embasou a criação do Parque Nacional dos Povos Indígenas de Tanaru.

Alertamos sobre os riscos do asfaltamento da BR-319, fizemos oposição à Ferrogrão e à dragagem de grandes rios amazônicos, gritamos contra as concessões florestais em áreas onde vivem povos indígenas isolados, nos aliamos às organizações indígenas contra a mineração nos territórios, contra o marco temporal e contra a lei da devastação que desmontou o licenciamento ambiental brasileiro.

É para evitar a volta da extrema direita que coloca nossas vidas em risco que declaramos apoio à reeleição do presidente Lula em 2026. Mas é também para continuar tendo o direito de seguir lutando contra tudo que discordamos na política governamental. Queremos mais quatro anos em que seremos capazes de pressionar abertamente por avanços nas demarcações de terras indígenas, em que possamos lutar por salvaguardas para os indígenas isolados em qualquer projeto de desenvolvimento. 

Queremos um governo do qual poderemos cobrar a dívida histórica do Estado brasileiro com os povos indígenas e especialmente os grupos em isolamento e de recente contato: lutando por políticas de memória dos genocídios cometidos no passado, por Justiça para Bruno e Dom, pela instalação da Comissão Nacional Indígena da Verdade e para que todas as terras indígenas sejam demarcadas, porque essa é a nossa razão de existir. 

É preciso que todos os brasileiros entendam que os riscos que corremos agora são ainda maiores do que os de quatro anos atrás. Temos um governo estrangeiro abertamente tentando intervir nas eleições. Um governo negacionista que é contra a preservação ambiental e atua para piorar a crise climática. Um governo com interesse declarado de destruir nossas florestas em busca de minérios. 

Sabemos que, dentro do Estado brasileiro, forças coloniais que seguem muito vivas também têm o mesmo objetivo, mas contra estes, sabemos lutar. Contra uma força imperialista estrangeira, nossas chances diminuem.

Esta carta é um apelo, um grito de alerta à sociedade brasileira: com a volta da família Bolsonaro morremos, com a continuidade de Lula seguiremos lutando.

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