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Funai assina documento que reconhece e delimita a Terra Indígena Ararà (AM)

Equipe de identificação e delimitação da TI Ararà trabalhando em conjunto com os indígenas para mapear o território. Foto: Acervo Funai
Equipe de identificação e delimitação da TI Ararà trabalhando em conjunto com os indígenas para mapear o território. Foto: Acervo Funai

Published by Opi

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Área no baixo Jatapu é território de povos isolados e dos Okoymoyana, Xowyana e Kararayana

A Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai) assinou no último dia 25 o Relatório Circunstanciado de Identificação e Delimitação (RCID) da Terra Indígena Ararà. O documento embasa dos pontos de vista antropológico, ambiental, cartográfico e fundiário a demarcação do território, que é reivindicado formalmente desde 2001 pelos povos Okoymoyana, Xowyana e Kararayana e onde vivem também indígenas em isolamento. 

O Grupo de Trabalho constituído para o reconhecimento da TI, que elaborou o relatório, foi coordenado pelo antropólogo Victor Alcântara. O GT atua desde 2024 na região do baixo rio Jatapu, nos municípios de Urucará, São Sebastião do Uatumã e Nhamundá, no Amazonas. A TI Ararà foi declarada com cerca de 727 mil hectares e integra o complexo territorial do Wayamu, que compreende porções dos estados do Pará e Amazonas. 

Região do baixo rio Jatapu, no Amazonas. Foto: Acervo Funai
Região do baixo rio Jatapu, no Amazonas. Foto: Acervo Funai

O território passou décadas invisibilizado pelo estado brasileiro. Contatados nas décadas de 1940 e 1960 pelo então Serviço de Proteção ao Índio, esses povos sofreram pressão da Funai na década de 1970, durante a ditadura militar, para que fossem retirados da região do Jatapu para dar lugar a empreendimentos rodoviários, minerários e hidrelétricos. 

Várias organizações indígenas e indigenistas atuaram ao longo dos anos para apoiar a reivindicação territorial dos povos indígenas da Ararà. A Coordenação das Organizações Indígenas da Amazônia Brasileira (Coiab) lidera os esforços, ao lado do Instituto de Pesquisa e Formação Indígena (Iepé), da Associação Aymara e do Observatório dos Povos Indígenas Isolados e de Recente Contato (Opi). Juntas, essas organizações realizaram diversas ações de proteção territorial tanto no Jatapu quanto no complexo do Wayamu, apoiando o trabalho da Frente de Proteção Etnoambiental da Funai na área.

Assembleia dos povos da Terra Indígena Ararà. Foto: Acervo Funai
Assembleia dos povos da Terra Indígena Ararà. Foto: Acervo Funai

A assinatura do RCID pela presidenta da Funai, Joênia Wapichana, marca um avanço fundamental no processo de demarcação e também na reparação de décadas de violação dos direitos dos povos indígenas do rio Jatapu. O documento também é fundamental para a proteção dos povos isolados, aumentando a segurança contra invasões e violências. 

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