Caso Bruno e Dom: seis meses de espera por segurança e justiça

Na semana que marca os 6 meses dos assassinatos de Bruno Pereira e Dom Philips, a Justiça Federal manda soltar mais um dos envolvidos no crime.

Foto: divulgação

O último dia 5 marcou seis meses do dia em que o indigenista Bruno Pereira e o jornalista Dom Phillips foram assassinados no Vale do Javari, no oeste do Amazonas. A data também marca seis meses de uma espera angustiante para as famílias, amigos e para toda a sociedade brasileira: a espera pelo aprofundamento e conclusão das investigações, pelo fim da organização criminosa que aterroriza a região e pelo dia em que os indígenas e servidores públicos no Javari estarão em segurança.

Nada indica que a espera esteja perto de acabar. A Justiça Federal mandou soltar essa semana mais um dos acusados de envolvimento nos crimes. Laurimar Lopes Alves, conhecido como Caboclo, é investigado no inquérito de pesca ilegal junto com Ruben Dario Villar, o Colômbia, apontado como mandante do crime e solto em outubro. Ele é acusado de participar da ocultação dos corpos de Bruno e Dom e é considerado um dos pescadores ilegais mais antigos atuando na região invadindo a terra indígena. É o segundo envolvido nos crimes a ser autorizado pela Justiça Federal a responder em liberdade.

A soltura dele preocupa as famílias e os amigos de Bruno e Dom, porque não se ouve falar em avanços nas investigações para coibir a pesca ilegal, as ameaças e a violência no Javari. Não podemos esquecer que as ameaças e a insegurança não foram resolvidas na região mesmo com toda a comoção pelas mortes. Em outubro a Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH) emitiu cautelar para que o Brasil proteja a vida de 11 pessoas ameaçadas no Javari.

Em novembro uma liderança Kanamari foi ameaçada à mão armada por pescadores ilegais flagrados dentro da Terra Indígena Vale do Javari. Em seguida, atendendo pedido da Defensoria Pública da União (DPU), a Justiça Federal em Manaus ordenou ao governo brasileiro que fizesse fiscalização ostensiva e imediata. Mas o que vemos acontecer, em vez das fiscalizações e do avanço das investigações, é a soltura de acusados pelos crimes. Quanto tempo teremos que esperar por justiça para Bruno e Dom e por segurança para o Javari?

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